Corpus Christi, também chamada de Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo ou Corpus Domini, e generalizada em Portugal como Corpo de Deus, é uma celebração litúrgica da Igreja Católica dedicada à adoração e à veneração da presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. A solenidade ocorre na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade, que sucede o Domingo de Pentecostes, embora em alguns países sua celebração seja transferida para o domingo seguinte. Também é observada, em diferentes graus, por algumas comunidades da Comunhão Anglicana.
Instituída no século XIII, a festa tem como finalidade proclamar publicamente a fé na presença de Cristo sob as espécies do pão e do vinho consagrados, bem como promover a devoção ao Santíssimo Sacramento. Por esse motivo, ocupa lugar de destaque no calendário litúrgico católico e é classificada como uma solenidade. Nos países onde a conferência episcopal assim determina, constitui também um dia santo de guarda, com a obrigação de participação na Santa Missa.
Uma das características mais marcantes da celebração é a procissão eucarística pelas vias públicas, durante a qual o Santíssimo Sacramento é conduzido solenemente em ostensório. Para os católicos, essa manifestação pública expressa a adoração devida a Cristo presente na Eucaristia e o testemunho da fé diante da sociedade. O Código de Direito Canônico (cânone 944) recomenda que o bispo diocesano promova tais procissões, especialmente na solenidade de Corpus Christi, como sinal público de veneração ao Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo.
Em diversas regiões do mundo, particularmente nos países de tradição católica, a celebração é acompanhada por costumes populares, entre os quais se destacam os tapetes ornamentais confeccionados nas ruas para a passagem da procissão, reunindo elementos de arte, devoção e identidade cultural.
História
A Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo nasceu em 1247 na diocese de Liège, na Bélgica, para celebrar a presença real de Cristo na Eucaristia[7] em reação às teses de Berengar de Tours, segundo o qual a presença de Cristo não era real, mas apenas simbólica.
O Papa Urbano IV, na época o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège, na Bélgica, teria recebido o segredo da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon, que alegava ter tido visões de Cristo demonstrando desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque. Por volta de 1264, em Bolsena, cidade próxima a Orvieto (onde o já então Papa Urbano IV tinha sua corte), teria ocorrido o episódio chamado de Milagre de Bolsena, em que um sacerdote celebrante da Santa Missa, no momento de partir a Sagrada Hóstia, teria visto sair dela sangue, que empapou o corporal (pano onde se apoiam o cálice e a patena durante a Missa).[9]
No Brasil
No Brasil é um feriado facultativo comemorado pela Igreja Católica.
Em muitas cidades portuguesas e brasileiras, é costume ornamentar as ruas por onde passa a procissão com tapetes de colorido vivo e desenhos de inspiração religiosa, costume este, iniciado pela Irmandade do Santíssimo Sacramento. Esta festividade de longa data se constitui uma tradição no Brasil, principalmente nas “cidades históricas”, que se revestem de práticas antigas e tradicionais e que são embelezadas com decorações de acordo com costumes locais.
Wikipédia






